Voltei para o Fedora

Eu uso sistemas operacionais Linux há pelo menos oito anos. Por quê? Bom, primeiro foi por segurança. Em meados de 2006 os vírus de computador eram um assunto muito sério, e eu odiava ter que ficar limpando o computador periodicamente por causa deles – e instalando e reinstalando antivírus melhores o tempo todo (nem vou comentar que na época eu era adolescente e não tinha dinheiro para comprar um antivírus, tampouco um cartão de crédito para fazer isso). Segundo, porque é muito bom ter domínio completo sobre o pc. E terceiro, porque depois descobri as quatro liberdades do software livre e nunca mais quis usar outra coisa.
Aos poucos fui me acostumando com a interface e o modo de distribuir os arquivos, e sempre que tive a oportunidade, trabalhei com um pc com uma distribuição Linux instalada. Continuei tendo contato com o Windows e com o Mac apenas no trabalho.

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Aliás, eu só fui mexer em um produto da Apple, pela primeira vez, aos 21 anos – e só porque fui obrigada por motivos profissionais.
Depois dos primeiros anos, no final da adolescência, fui me envolvendo com a comunidade do software livre, sempre meio de leve e distante, e comecei a compartilhar os ideais livres. Descobri que o software que eu usava estava de acordo com tudo o que eu pensava sobre política e liberdade.

Distribuições que já usei

Quando eu descobri o GNU Linux, a primeira distribuição que eu usei foi o Fedora. Depois usei o extinto Kurumim, e ao final do meu curso técnico em Redes de Computadores eu passei a usar o Debian. Fiquei nele até 2012, quando resolvi testar o famoso Ubuntu. Motivo: eu havia recém me mudado para São Paulo e queria conhecer mais pessoas. Achei que indo em installfests eu conheceria mais usuários linux, e como o Ubuntu estava super na moda, achei que seria legal ter mais prática e conhecimento sobre ele. No final, claro que não fiz quase nenhuma installfest e fiquei com o Ubuntu para sempre no pc.

Instalei o Ubuntu no meu notebook da época – um Itautec W6755 – e a mágica dos drivers se instalarem sozinhos aconteceu. Confesso que aquilo me comoveu, e eu mal prestei atenção a todas as tecnologias proprietárias que a Canonical (empresa que mantém o Ubuntu) jogou no meu computador sem me perguntar direito se eu queria aquilo. Sei que eu fiz muitos usuários de windows se aproximarem do Ubuntu com aquele sistema operacional que realmente pensava no usuário final. Desde então tive um ultrabook e um netbook, sem contar os notebooks do trabalho, e em todos eles usei essa distro. Fiquei com ela até janeiro de 2015, quando nossa linda história acabou – depois de completar dois meses com a nova versão – e ter vontades descontroladas de jogar o pc pela janela.

Utopic Unicorn

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Jamais pensei que eu não iria gostar de algo que tivesse ‘unicorn’ no nome. Mas o kernel Linux 3.16 junto com o Ubuntu, que veio para melhorar a performance dos novos hardwares no mercado, acabou travando muito meu ultrabook U310, da Lenovo. A interface atualizada não me agradou tanto. Os gráficos ficaram melhores, mas o workflow do usuário ficou comprometido – quando eu usava o search gráfico do desktop para procurar um arquivo, eu precisava clicar em um botão “Abrir” para abrir a pasta onde ele estava. Parece pouca coisa, mas no dia a dia eu senti minha agilidade prejudicada.  Pensei em fazer um downgrade na versão, ou instalar o Xubuntu. Acabei vendo aí uma desculpa para voltar para o Debian.

Debian Wheezy

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Definitivamente não me pareceu um bom sistema operacional para notebooks. É leve, como todo Debian deve ser, e não sei se foi uma mistura de azar e versão zoada, mas a minha placa de rede wireless não tem driver para linux e eu passei horas instalando libs e pacotes equivalentes na mão – e ainda sim, por alguma razão, ela não funcionava muito bem. Falei com uma amiga, e ela me disse que essa realmente não era a melhor versão do Debian para rodar em um ultrabook, e que seria legal eu pegar uma outra, e instalar tudo de novo.
A essas alturas eu estava ansiando pelo Fedora, o sistema que eu mais tinha usado antes do Ubuntu. Então, entre baixar outro Debian e baixar o Fedora, fiquei com a segunda opção.

Fedora 21

Essa é a minha área de trabalho.
Essa é a minha área de trabalho. Me julgue.

Ao entrar no site da distro, depois de tantos anos, levei um choque. Estava muito bonito. Na home diz “Menos configuração, mais inovação”, isso me soou um pouco como a Canonical tratava os usuários do Ubuntu, mas a Red Hat dificilmente decepcionaria nesse sentido. E não decepcionou. A prova disso é que, neste exato momento em que escrevo o post, estou instalando pacotes para fazer tocar músicas em formato MP3 (proprietário) na minha distro. Também tive que instalar o flash player na mão para poder assistir vídeos no youtube sem maiores dores de cabeça, e etc. Lá do site do Fedora você pode escolher três versões do SO: Workstation (que eu estou usando), Server e Cloud (presumo que é um servidor de arquivos otimizado). Achei esse posicionamento bem maduro.
Os gráficos do SO estão ótimos, mesmo no meu pc que não tem placa de video. O Fedora não é tão leve quanto o Debian, mas de longe é muito melhor do que o Ubuntu nisso.

Curtindo as firulas do #fedora depois de formatar o pc. ♡ #opensource #freesoftware #fisl

Um vídeo publicado por Nessa Guedes (@nessoila_) em

Fazem apenas 3 dias que estou com o Fedora 21, vamos acompanhar. Daqui uns dias vou fazer vários testes com ele, e insta-lo em outros pcs para ver como a distro se comporta.

DevDay BH: como ser independente e livre na TI

Nesse último setembro recebi um convite para palestrar em um evento em BH, do qual nunca tinha ouvido falar. O DevDay.
Com a proposta de agregar e diversificar o público, o DevDay 2014 traz palestras voltadas para o mundo web, com várias carinhas novas brilhando na programação. O evento rola na escola de engenharia da UFMG, durante todo o sábado, dia 01 de novembro. O DevDay é legal porque também dá espaço para as comunidades se encontrarem e conversarem, e pelo o que vi na grade de agenda, nessa edição está trazendo bastante coisa sobre open source e mobile.

Atividades

Adorei ver vários nomes novos na programação do evento, principalmente palestrando na minha área, web. Estou especialmente ansiosa pela palestra do Beto Muniz, sobre Web Components, e o keynote do Alexandre Freire, sobre “como não testar o seu projeto”.
Também não posso deixar de chamar atenção para uma das últimas atividades do dia, a palestra do amigo Luís Leão, sobre “internet das coisas”, que é um dos assuntos mais quentes nos últimos dois anos, mas que ainda tem muito a ser explorado e popularizado aqui no Brasil. E também, a palestra sobre como aplicar soluções de streaming open source com o GStreamer, da especialista Fernanda Fuji.

Desenvolvedor no software livre: o que você precisa saber

A minha atividade vai ser ministrada no auditório, às 16h45. Vou mostrar como você pode usar o software livre em sua vida de programador freela, ou quase freela, e como você pode administra-la melhor. Falando assim parece algo bem genérico, mas eu vou levar exemplos concretos para mostrar como aplicar o software livre como um lifestyle para quem vive dele. Espero que os participantes encontrem algo novo na minha fala, e que contribuam para a discussão.

Resumo

O que: evento da comunidade de desenvolvimento DevIsland, o DevDay.
Quando: 01/11/2014, das 8h às 18h30.
Onde: Escola de Engenharia, UFMG, em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Como: Você se inscreve no site, e se não é de BH, compra uma passagem de ônibus e de avião e vai, vale a pena. As passagens para MG estavam bem em conta nos últimos meses ;)
Saiba mais: http://devday.devisland.com/

 

Ghost: um CMS baseado em NodeJS

O Ghost é um novo CMS (Content Management System) baseado na filosofia “leve e rápido” – ou, como eles falam “free, open and simple“.  Está tudo disponível aqui. Usando Node.JS e SQLite, ele é fácil de instalar – se você souber Node -, e ganha muito pela simplicidade. Ainda com a documentação em andamento, é melhor instala-lo diretamente de um clone do seu repositório no GitHub.

ghostcms

Desenvolvido após um financiamento no Kickstarter, o Ghost foi a menina dos olhos de muitos desenvolvedores em 2013. O problema é que algumas pessoas ficaram com a sensação de ‘promessa não cumprida’,  já que o sistema ainda está muito ‘cru’ se comparado aos outros gerenciadores de conteúdo do mercado. Mas engana-se quem pensa que o Ghost foi um projeto com o tempo e o dinheiro desperdiçado: ele promete, e provavelmente cumprirá. Em 2014.
Uma das premissas da comunidade é o teste, ou seja, tudo é feito com o máximo de cuidado e mantendo uma lista de backlog ativa, porém sempre curta. O Ghost tem um time de desenvolvedores focado nele, e garante assim a continuidade do projeto. Um dos meios de monetização para dar continuidade ao projeto são os planos de host (modelo wordpress.com) e um marketplace de serviços premium. Inclusive já existe um site onde é possível comprar themes só para ele, e o próprio Themeforest  já lançou um desafio para os desenvolvedores criarem themes para ele – o que prova que o sistema é muito fácil de ser compreendido.
Por enquanto aconselho o seu uso apenas por desenvolvedores minimamente experientes em Javascript, e com alguma experiência com linguagens de programação web. Motivo: ainda há bastante coisa para brincar nele. ;)

Sistema de Arquivos

Esse cms usa uma lógica muito parecida com o MVC, porém com a parte de view dividida em mais partes, afim de comportar diversas metodologias cliente-servidor que tornam o site cada vez mais rápido.

Theme – Usando HBS

handlebars_logo

Os themes do Ghost usam um sistema de desenvolvimento semântico para front-end documentada, o Handlebars, cujo formato usado é o .hbs. Tem uma sintaxe bem diferente, e acho que o handlebars está para o html, assim como LESS está para o CSS. Sabe? :) Ok, é uma comparação tosca, mas não consegui pensar em mais nada para comparar. Ambos são engines javascript que auxiliam os desenvolvedores a fazerem um código front-end mais semântico economizando tempo.
Sua sintaxe fica mais ou menos assim:

<header id="site-head" {{#if @blog.cover}}style="background-image: url({{@blog.cover}})"{{/if}}>
    <div>
        <div id="site-head-content">

            {{#if @blog.logo}}<a id="blog-logo" href="{{@blog.url}}"><img src="{{@blog.logo}}" alt="Blog Logo" /></a>{{/if}}
            <h1>{{@blog.title}}</h1>
            <h2>{{@blog.description}}</h2>
        </div>
    </div>
</header>

Aí ele busca as informações entre as chaves em um outro arquivo, onde você acessa o conteúdo que é exibido corretamente:

var context = {title: "My New Post", body: "This is my first post!"}
var html    = template(context);

Esse sistema de organização de arquivos html serve para otimizar a abertura das páginas sem usar cachê.
Para saber mais como usar o handlebar, leia este artigo que explica muito bem.

screenshot_hack_server_ghostarticle

Banco de Dados – Simplificando com SQLite

Na distribuição Linux usada para testar o sistema, usei o SqliteMan, versão 1.2.2., para visualizar o banco de dados em SQLite. Mas o sistema pode usar MySQL normalmente, basta pegar o respositório certo. Eu recomendo dar uma lida em uma discussão, em inglês, sobre as diferenças práticas entre usar SQLite e MySQL.

Sistema – CMS

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Por enquanto o Ghost suporta apenas um usuário registrado, por conta da implementação de segurança orientada dinamicamente. Em breve o sistema multiusuários vai ser liberado em novas versões mais estáveis.

Algumas razões para usar e não usar Ghost

Prós Contras
Marketplace e serviço de host próprio acessível Nenhum host costuma ter suporte para rodar nodejs em seus planos básicos
Comunidade e código aberto  As atualizações tem demorado para sair devido à rigidez dos processos de testes
Themes lindos  Ainda não suporta multiusuário
Leve e rápido para abrir  Simples demais
MIT License  Sistema de tags e busca ainda muito tosco

Considerações finais
Algumas questões vem cercando as discussões sobre esse sistema ultimamente: ele vai substituir o wordpress? Ele vai popularizar o NodeJS? Ele vai obrigar os front-ends a aprenderem a usar servidores web direito? Então, só tenho competência para responder a primeira pergunta: claro que não. O Ghost não é concorrente de nenhum outro CMS, ele é apenas mais um. No caso do WP,  ele tem um posicionamento de migração disponível de uma plataforma para outra, mas isso também acontece com o Tumblr. O que o Ghost oferece de volta talvez seja apenas a (ilusão?) segurança, já que o Node ainda é uma tecnologia que está sendo difundida e não está sendo usada em larga escala. Na verdade, o Ghost nasceu de uma ideia do John Nolan, que trabalhava no time do WordPress um tempo atrás, então, é bem possível que ele e sua equipe se mantenham firme na premissa de manter o Ghost como um cms apenas para blogar – e não um monstro cheio de possibilidades e custom-post-type.
Vamos ver no que vai dar.
Por enquanto eu tenho rodado o Ghost localmente, e aprendi um pouco sobre nodejs por causa dele, então já valeu a brincadeira. Porém, penso em fazer algum projeto profissionalmente utilizando-o, só estou aguardando o projeto certo chegar.

Como organizar referências?

Quem trabalha no ramo da criatividade respira referência. Inclusive, é muito difícil separar os momentos em que começamos e que terminamos de olhar para qualquer coisa com olho clínico – tem vezes que contemplar o trabalho de um novo artista, ou usar um novo aplicativo, deixam de ser simples atividades e fazem a gente pensar de forma crítica, estimulando a vontade de usar o material novo como ponto de partida para uma nova ideia, ou provocando a necessidade imediata de logo compartilhar esse novo link com nossos colegas.

About-Illumine_illumine

Eu tenho  o hábito de compartilhar todas as coisas interessantes que vejo por aí entre os colegas, em grupos de discussão – desde video cases de marcas gringas, trabalhos de colegas do ramo, e até mesmo artigos que falem de assuntos bacanas. Mas esse compartilhamento serve apenas como uma lista de updates do momento, e não um banco organizado de informações. Uma boa saída é filtrar tudo de interessante que vemos e recebemos por aí de forma inteligente, e, sendo uma lista pessoal, nós podemos organizar as informações como nos sentimos mais confortáveis para usá-las no dia a dia.

Existem aplicativos que nos ajudam a fazer isso de forma esperta. Antigamente, eu costumava usar o bloco de notas do computador para guardar as referências da semana, colocando os links puros no arquivo, e separando a tarde de domingo, ou a manhã de segunda, para abrir um por um e reler. Hoje, com o uso de smartphones, tablets, e notebooks, não faz tanto sentido armazenar as informações em um arquivo estático em um único lugar. Com a nuvem nós podemos guardar as informações na hora em que temos o primeiro contato e consulta-las de qualquer dispositivo com acesso a internet. E alguns aplicativos fazem uso desse recurso de forma louvável. Basta usá-los com sabedoria.

Classificando suas informações

Antes de começar a usar qualquer software que vai te ajudar a guardar as referências, é bom ter em mente qual a maneira que fará sentido para você classificá-las. Em Arquitetura da Informação nós chamamos isso de tagueamento, ou seja, é importante usar tags para etiquetar os links, imagens, vídeos, whatever, que você for juntar. Depois de um tempo, quando você estiver no meio de um projeto sobre determinado tema, essas tags vão te ajudar a encontrar as referências corretas quando você precisar.
Você pode usar tags de várias formas: por temas, por autoria, por tipo de mídia, por nome da marca, por nome do site, por área. Por exemplo, ao guardar o link desse artigo que você está lendo, eu o taguearia com as palavras-chave “organização”, “utilidade”, “aplicativos”, “sugestão”, “informação”, “livead” ou “ler depois”. Se eu fosse guardar esse link, que é uma notícia informando a mostra de filmes do Tarantino no SESC Consolação, eu usaria: “cinema”, “gratis”, “quarta”, “tarantino” e “sesc”.

Tags são artifícios muito pessoais, e muito úteis, com o tempo você vai descobrir qual a maneira de usá-las que faz mais sentido para você: o importante é não deixar de usá-las.

Aplicativos

Abaixo fiz uma lista de sugestões de aplicativos que podem lhe ajudar a organizar as referências. Eles se organizam de formas diferentes estruturalmente, mas todos cumprem um único objetivo: organizar sua vida. Há uma classificação e uma pequena ficha para cada um. Enjoy.

Evernote – http://evernote.com

evernote

Ele guarda absolutamente qualquer tipo de midia que você precisar, até audio. Útil para qualquer profissional e disponível para uso em toda e qualquer plataforma ou sistema operacional. Tem gente que consegue usa-o como to-do list ou agenda, mas ele é bem mais do que isso. Ele tem um sistema de tagueamento inteligente, e permite que você crie listas de referência compartilhadas. Também tem uma API que faz com que interaja com outros aplicativos, caso você queira criar algo novo com os recursos que ele traz.

Eu uso muito o add-on de Firefox do Evernote, porque basta eu clicar com o botão direito em qualquer lugar da página onde eu estou e clicar em “adicionar ao evernote” que ele guarda o link da página, e abre uma box flutuante – bonitona – que permite que eu tagueie o link na hora. No meu celular, Android, eu uso o botão ‘compartilhar’ em qualquer lugar do telefone e clico no ícone do Evernote e ele guarda a informação para mim. Depois fica tudo acessível ao logar na minha conta, em qualquer navegador.

Disponivel: Todos os dispositivos.
Licença: Freemium

Google Keep – https://drive.google.com/keep

google-keep

Lançamento fresquinho da Google em 2013, ainda pouco usado, ele funciona de modo similar ao Evernote, mas com duas diferenças, uma boa e outra ruim: a boa é que ele pode ser sincronizado com o Google Drive (no meu caso, que uso o Drive para tudo na vida, é melhor porque centraliza tudo em um único login), a ruim é que ele ainda não funciona em todas as plataformas que eu uso (por exemplo, meu navegador é o Firefox, mas ele só roda em Chrome por enquanto; enquanto que quem usa iPhone também vai ter que esperar um pouco para a versão para esse sistema). Entretando, vale o teste.

Disponivel: Google Drive, Chrome e Android.

Licença: Free.

Instapaper – http://www.instapaper.com/

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Um aplicativo incrivelmente simples. Ele tem cara de antigão – e é -, mas não deixa nada a desejar. Você cria uma conta do modo mais simples possível, cadastrando um email e digitando uma senha (apenas uma vez!), e depois é só arrastar o botãozinho “Read later” que ele gera na tela para os favoritos do seu navegador – e você pode repetir isso em todos os dispositivos em que ele opera. Depois disso, qualquer link que você abrir no seu navegador, você pode clicar nesse botão nos bookmarks e acessar o link mais tarde pela sua conta no Instapaper. Ele ainda tem uma API onde desenvolvedores podem fazê-lo conversar com outros aplicativos – inclusive, ele aceita import de feeds como o Feedly, e conversa com o Twitter e o Facebook. Animal.

Disponivel: Mac, Windows, Linux, Kindle, iPad, e iPhone.
Licença: Free

Listography – http://listography.com/

listography

O app mais oldcshool que você vai encontrar por aí. Com um visual bem 2001, você pode usá-lo no seu site original ou com o aplicativo para iPhone, e só. Eu acho legal porque ele tem ares de rede social, e lembra aqueles questionários que usávamos nos anos 90, onde escrevíamos sobre nossos gostos para nossos amigos. Ele serve basicamente para você organizar listas, e só isso. Não é tão prático quanto os anteriores, mas vale pela diversão. Escrevi sobre ele de modo mais detalhado aqui, e ele é ótimo para fazermos to-do lists ou wishlists.

Disponível: Web, iPhone.

Licença: Free

Manifesto SP: We are young



Ver mapa maior

Segunda-feira parti as dez da manhã em direção ao centro do Parque da Água Branca. Nunca tinha ido lá antes, e achei lindo, assim como é todo o parque que figura como um refúgio em qualquer grande metrópole, só que com o adicional de que esse abriga o maior número de galinhas, galos e patos vivendo em harmonia com gatos e um aquário a céu aberto, cheio de carpas. Foi ótimo começar a semana me perdendo dentro do parque e ficando sozinha com as árvores e os animais, mesmo que eu tenha me atrasado um pouco para o evento que eu estava procurando.

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Bem, eu fui no parque porque era lá onde estava rolando o Manifesto SP,  uma edição do evento engajador do IdeaFixa, junto com o pessoa da Eiffel. Recebi o convite a partir de um foward de um colega de trabalho, e eu jurava que era um evento com caráter corporativo, para discutir mídias sociais. Ledo engano.
O evento juntou pessoas como eu, para falar de vidas como a minha. Fazia muito tempo que eu vinha evitando contar para as pessoas sobre minha trajetória profissional e de vida  porque eu achava muito maçante. Não é que a minha vida não seja divertida, bem pelo contrário, ela é movimentada e cheia de reviravoltas, e está sempre andando de mãos dadas com a minha carreira. Nunca separei muito o profissional do pessoal na esfera que tange “trabalhar com coisas que acredito”. Afinal. não dizem que tempo é dinheiro? E o meu tempo é muito precioso para eu gastar em algo que eu não gosto. Por isso, tenho um orgulho enorme de afirmar que sempre procuro trabalhar com coisas que eu acredito e amo. Ainda assim parece um pouco “mala” ficar fazendo fita e contando sobre sua carreira, pronunciando inúmeros “eu acho”, “eu fiz”, “eu decidi”, “eu quis”, “eu fui”. Mas para quê tanto desconforto? Nós vivemos nosso ‘eu’ o tempo inteiro, se não fosse por isso, eu duvido que os atrológos fizessem tanto sucesso, afinal, o que todo mundo quer no final é falar e ouvir um pouquinho sobre si mesmo. E não é fantástico quando todos esses “eu’s” se encontram e percebem que querem uma coisa em comum? Esse ‘eu’, no ambiente de agência e pessoas tão de bem com a vida, frequentemente se torna um NÓS. E foi isso que eu senti no Manifesto.
Então eu estava lá no evento, que contava com figurinhas conhecidas da área de Social Media, como a Bia Granja, a Lalai e o Guima, e fiquei ouvindo essas pessoas contando coisas fantásticas – e tão parecidas com o que acontece comigo. Me senti ótima. Foi um choque e ao mesmo tempo uma grata surpresa, olhar para frente e ver pessoas que são referência na minha área, contando histórias muito parecidas, e percebendo que seus medos e anseios são praticamente os mesmos meus. Uma experiência reconfortante.
Tudo me fez pensar que estamos em um tempo ótimo para gastar nossa energia em coisas que valem a pena. Social Media, Mídias Sociais, Brand Content, Community Management… são coisas tão novas e tão vanguardistas, e são tipos de trabalho que permitem a você ter mobilidade, flexibilidade, e conforto. Ao mesmo tempo é um trabalho que faz você atingir (e mesmo ter o poder de interferir até certo ponto) no dia a dia das pessoas das formas mais inusitadas. É muito bom ver que esses profissionais são justamente os que estão pegando carona na cultura do DIY e do “trabalhar por prazer”. É impressionante ver como pessoas dessa geração, na base dos 20 aos 40 anos, estão investindo sua energia em coisas que fazem sentido, sem abrir mão de uma vida confortável. Isso é fantástico.

Uma das coisas que ficaram muito salientes para quem estava assistindo ao Manifesto – que já rolou antes em Campinas, e possivelmente em outros lugares também – era que absolutamente todo mundo que estava participando tinha mais de uma atividade que tomava seu tempo e sua energia, e nem sempre todas essas atividades eram rentáveis. A época que estamos vivendo poderia ser resumida a frase “why not?”. Se você tem vontade de fazer algo, não espere o especialista surgir: aprenda e faça você mesmo. Os punks nos diziam isso anos atrás, mas ninguém prestava atenção. Hoje, parece natural. O mundo está evoluindo, e é muito bom estar no meio desse progresso, vendo tudo de perto.




Eu acho que no fundo é uma questão de se manter sempre jovem.

Listography

perfil no listography

Uma estrutura de usabilidade simples, um design tosco, features que funcionam, formatacão de wiki e voilà: temos um misto de rede social e painel de curadoria que funciona muito bem. É o Listography, site criado em 2007 – mas com visual de 2001 – que me conquistou exatamente pela simplicidade visual. Lá você pode criar listas, ponto. É como se fosse um pinterest só que em texto, sem os painíes/albúns.

Rede social

No listography todo mundo tem sua página, onde podem ser adicionadas listas novas a todo o momento, ou pode-se acompanhar a edição das listas das pessoas. Na parte da esquerda, na página de listas do usuário, aparece o status das suas listas – ongoing, main, archive… – e os usuários favoritos da pessoa. É absurdamente simples entender como funciona.

Personalização

Essa rede me conquistou pela simplicidade, não canso de dizer. Não é como um myspace ou um blog, de alta customização, tampouco se assemelha a um facebook. Nessa parte, o listography está mais para twitter mesmo, pois permite que você customize, basicamente, seu background e sua foto de perfil. Depois você pode escolher a cor do background das suas listas, numa paleta de tons pasteis bem hispter, e se quiser pode adicionar uma imagem no canto superior direito da lista, para dar um ar da graça e dinamizar a visualização.

Formatação de wiki

Poucas pessoas conhecem esse tipo de formatação (eu preciso fazer um post mais detalhado sobre ela) e eu acho lamentável, já que é um dos modos mais inteligentes de escrever para web que existem. No listography, quando você vai escrever uma lista, você escreve mais ou menos assim:

* primeiro item
  * um subitem
  * outro subitem
* __um negrito inteligente__ para você entender como funciona
* segundo item
*- terceiro item riscado em cima

E daí, depois de publicado, sua lista fica com essa aparência:

  • primeiro item
    • um subitem
    • outro subitem
  • um negrito inteligente para você entender como funciona
  • segundo item
  • terceiro item riscadoo em cima

O primeiro exemplo é o modo como você digita a lista, e o segundo é o modo como ela aparece depois. Para exemplificar a simplicidade que é usar essa formatação, preste atenção que quando você usa ferramentas de blog, normalmente quando vai editar html na mão, você tem que digitar <b> e </b> para indicar um negrito. Com formatação de wiki, você faz isso com atalhos mais simples, onde você não precisa tirar a mão do teclado ou diigtar muito. Isso é muito bom para quando você está escrevendo um conteúdo muito longo, otimiza o tempo.

Uso

O listography não funciona para coisas rotineiras, como lista de supermercado – para isso acho legal usar um bloco de notas no smartphone mesmo, ou um bloquinho de papel. As listas lá tem um caráter de registro, como coisas que você quer guardar mesmo, tipo os documentários que pretende assistir naquele ano, a lista de objetivos profissionais que atingiu no ano anterior, ou mesmo um wishlist de produtos que você deseja adquirir nos próximos meses. O legal da lista de favoritos é acompanhar pessoas que tenham um perfil próximo ao seu e prestar atenção na evolução das listas delas, como modo de pegar sugestões para coisas que sejam do seu interesse também.
O mais interessante no quesito design é que lá você não vê botões ou ícones, e sim links. Links, o tempo inteiro, em toda a parte. É a web no seu mais puro estado, na melhor validação que o w3c poderia dar. Achei fantástico. Isso torna o site MUITO oldschool, e ao mesmo tempo moderno – visto que até app para iOS ele tem (só falta uma versão maneira para Android e Firefox OS).

Dica: No menu principal, no lado direito, tem um link chamado “someone new” que quando clicado leva você para um página de um uusário qualquer, aleatoriamente.

Livro do litography
Retirado desse artigo.

Eu li por aí que existem livros do Listography, baseados em coisas que os usuários postam. Não entendi muito bem como funciona a seleção, mas as artes dos livros são bem bonitonas.

Fica a dica aí, galera! E se quiserem acompanhar, esse aqui é o meu perfil por lá.

Social Media – Cronograma de conteúdo

schedule_clipart 450x300Desde muito tempo a vida de Social Media era uma incógnita para mim, que sempre estive do lado técnico da parada da internet. Mas meus dias de desenvolvedora web e gerente de projetos acabaram quando recebi a proposta de mudar os rumos da carreira radicalmente, e agora eu estou no time de Conteúdo da firma. Com essa mudança repetina, vieram inúmeros questionamentos e aprendizados, e o primeiro deles que começou a me incomodar foi o malfadado Cronograma de Conteúdo. Ou Plano de Conteúdo. Ou Calendário de Posts. Como quiser chamar.
Pesquisei e encontrei na internet inúmeros formatos de entregar o planejamento de conteúdo para o cliente aprovar; perguntei para as amigas; li artigos de sites gringos; pensei; rascunhei; joguei fora; rascunhei de novo, etc. Com o tempo, percebi que todo mundo faz um .doc ou um .xls. Simples assim. Mas nenhum dos layouts que eu via me agradava. Então resolvi fazer os meus próprios e compartilhar aqui.

Abaixo vou contar como eu costumo construir meu plano de conteúdo quinzenal, e junto vai alguns arquivos modelo que eu melhorei, adaptei e etc. Parece que funcionam bem. E o legal é que quando eles são exportados para PDF, pelo menos se você usa o OpenOffice (não sei como eles funcionam com MicrosoftWord ou Pages, porque não uso nenhum desses há anos) e mantém a formatação original, ele vai automaticamente setar um menu de navegação rápido no seu documento, à esquerda, que facilita na hora de usar o cronograma.

Como organizar o conteúdo

Minha experiência pessoal, e de observação dos colegas, me diz que, por sermos seres sociais –  constantemente online -, acabamos sendo como antenas que interceptam conteúdo o tempo inteiro. Precisamos estar atentos e guardar os links, as fotos, e os perfis, na hora em que os encontramos. Seja quando estamos navegando pela internet ou quando estamos usando o smartphone ou o tablet. Então, para mim, funciona muito usar o Evernote, que é um aplicativo que funciona em praticamente tudo (desde distribuições Linux até o Windows 8 e o Android, o iOS, etc) e serve para guardarmos link, capturar imagens, etc, e organiza-los depois. Eu costumo usar o Evernote em um add-on para Firefox que roda direto no navegador e tem interface de visualização própria, e paralelamente eu uso o aplicativo dele para Android. Geralmente reservo uma tarde por semana para organizar os links que eu guardei em tags especificas de datas, categorias, e serventia do conteúdo, para poder usa-los depois.
Depois que eu já organizei a lista semanal do Evernote, eu costumo ir abrindo os links um por um, lendo o conteúdo atentamente. Aí eu vou colocando aqueles que são interessantes para meu plano de conteúdo em um rascunho – um txt mesmo, do bloco de notas. Abaixo dos links que eu separo, vou escrevendo a chamada de post para aquele assunto (que eu vou usar no facebook, no twitter), ou vou separando um resumo sobre o assunto para linkar em um possível post de blog mais tarde.

Modelos de Plano de Conteúdo

Isso é algo bem pessoal, mas olhar os planos de conteúdo de outras pessoas me ajudou a construir o meu próprio. Os cronogramas que eu estou disponibilizando podem ser adaptados para semanal, mensal, quinzenal, o que você quiser.

Em doc (ou Word)

Modelo de Planejamento de Conteúdo em Doc – Esse modelo foi feito no Open Office, e não no MS Office. Portanto, não faço a mínima idéia sobre se ele vai abrir direito no Word, pode ser que venha desconfigurado. Mas não custa instalar o Open no seu computador e passar a usá-lo, já que é de graça. O legal desse documento é que se você exportá-lo para pdf ele fica bem bonitão e gera um menu de navegação automático que a galera adora, porque facilita muito a vida na hora de consultar o planejamento (e o melhor: PDF abre em qualquer computador perfeitamente, não ineteressa se você está usando Mac e o seu cliente Windows). Quando você exporta, ele fica assim, bem legal.

Em xls (ou Excel)

Modelo de Plano de Conteúdo para Download – Aqui está o modelo em xls para baixar. Fiz observações no modelo, para explicar como utiliza-lo, mas ele é bem simples e intuitivo. Simples até demais para algumas pessoas. Mas como eu não gosto de excel e preciso entregar o planejamento nesse formato, acabo deixando-o o mais simples possível, sem nenhuma aba adicional para controle de maior período (eu controlo o período dos posts pelo título do arquivo e pasta no computador onde o guardo).

Modelo de Plano de Conteúdo no Google Drive/ Gdocs – Eu sempre uso essa planilha no Google Docs, inclusive eu fiz essa planilha lá. Para adicionar ao seu Google Drive, você pode clicar em File> Make a copy, e então editar o seu plano de conteúdo.

Lembrando que cada pessoa deve encontrar o modelo correto para seu uso rotineiro. No meu caso, todos os modelos de plano de conteúdo que eu encontrei na internet eram complexos demais, sempre usados por pessoas que dependiam muito do Excel para organizar seu dia a dia e seu calendário. Como eu tenho pavor de Excel, e constumo usar o Basecamp e o Nitro para me organizar, acabava que não me adequava muito àquilo.

Dicas para postar no tempo certo

Use sempre o agendamento do Facebook para agendar seus posts (isso é possível através de um ícone de reloginho que fica ao lado do botão ‘Publicar’ quando você faz um post novo em uma fanpage do FB), e o agendamento do Hootsuite ou do TweetDeck para o Twitter. Para blogs, sempre tem o agendador do WordPress - outras plataformas de blog eu não sei se tem esse recurso, se alguém souber, coloque nos comentários que eu adiciono no post.

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Muito além do facebook: uma releitura do uso das redes sociais no marketing digital

Esperando a próxima leva de publicitários

Quem tem mais de 20 anos, e é classe média alta, deve lembrar um pouquinho da internet antes das redes sociais invadirem os meios digitais de forma absoluta. Diz-se classe média alta porque a maioria das pessoas que tinham acesso à banda larga antes de 2004, se não fossem funcionários públicos, deveriam ter o mínimo de dinheiro sobrando para contratar os serviços de provedores de internet e telefonia, que proviam a tecnologia necessária para a conexão rápida. Se hoje internet não é algo que podemos chamar de barato, naquela época então, era muito mais inacessível pelo preço como nunca foi. Esse período também foi marcado pela popularização do wi-fi, e não por mera coincidência. Mas o fato é que, com a nova era na web, as pessoas que estão aprendendo a mexer no computador, crianças principalmente, correm o risco de não compreender bem o que é a internet de fato. Elas podem não ter a visão do que uma rede é de verdade, e isso influencia em como essas jovens pessoas, os futuros publicitários e consumidores que estarão no mercado dentro de 15 anos, vão usar e interagir com as marcas dentro das conexões digitais e sociais a quais terão acesso. Seria o início da dependência dos serviços de likes? Tudo depende do legado que vamos deixar agora.

E fez-se a luz

No princípio, bem princípio mesmo, tipo de 1992 a 2002, todo mundo sabia que a internet era uma grande rede de conexão; tipo um telefone. A diferença era que ao invés de voz, a informação era apresentada via bytes, que se transformavam em objetos gráficos em forma de texto e imagem na tela do computador. E diferente do telefone, a informação não acontecia entre duas pontas apenas; ela estava ali em período integral para a consulta de qualquer pessoa, em qualquer dia ou hora. E mais: várias pessoas poderiam estar vendo a mesma informação ao mesmo tempo – nisso a internet se assemelhava a televisão também, mas a diferença crucial estava no fato de que as pessoas estavam dando o seu feedback e tendo a chance de interagir com o conteúdo de um modo que a televisão jamais proporcionaria. Surgiram os portais institucionais de empresas, o conceito e as ferramentas de blog, a institucionalização do e-mail como meio de comunicação tão importante quanto o correio tradicional, os grandes portais de comunicação, a migração e replicação de conteúdo dos principais jornais e revistas para as versões online, a popularização dos preços de computadores,  a vinda (lenta) da internet banda larga, e as primeiras ferramentas de chat e socialização (ICQ, IRC, etc). A internet era feita por pessoas, de fato. As pessoas é que ditavam as regras sobre o conteúdo que queriam acessar, e elas que publicavam e tinham autonomia sobre o que era produzido.  Isso, além de transmitir a sensação de caos ou anarquia, permitia que todos fossem livres e conseguissem gerenciar de verdade o que transcorria nas fibras ópticas da internet. Claro que também foi nessa época que os crimes virtuais – que de virtuais não tem nada – tomaram uma forma mais nítida. E mesmo com todas as leis criadas nos últimos anos, a censura em alguns países, e o controle de conteúdo, os crimes ainda continuam. Portanto, não é a anarquia da internet original que permite que essas fatalidades aconteçam, pois criminosos sempre se apropriaram de tecnologias novas e vão continuar fazendo isso não importa o que aconteça – cabe aos governos delimitarem e fiscalizarem o que caracteriza esses casos, e não se preocupar com o conteúdo informativo ao qual a população tem acesso. Mas voltando ao panorama da internet nos seus primeiros dez anos de intenso uso pela sociedade civil, ela era muito mais democrática do que é hoje. E existe apenas um fato e um culpado pela atual limitação na distribuição do conteúdo da internet hoje.
O surgimento do facebook.
E as pessoas.

As pessoas caminham com o marketing e a publicidade

Temos hoje um fenômeno interessante e difícil de ser notado pelas gerações que estão vindo, tão dependentes das redes sociais e tecnologia em geral. Isso não é ruim, pelo contrário. O problema está no jeito com que as pessoas se apropriam desses novos recursos. Se antes a internet se movia sozinha, pelo interesse das pessoas e de uma forma muito mais democrática, hoje já não temos mais essa situação. A internet é um grande emaranhado de informações, e um grande pool de domínios. Mas as pessoas a reduzem ao uso de poucos portais de notícias, blogs vinculados a canais filiados à mídia tradicional, às redes sociais integradoras e ao conteúdo filtrado. Antes era obrigatório manter contato com o cliente através do seu portal, do seu email – do seu domínio -; hoje essa comunicação acontece pelas redes sociais. No caso do Facebook, em específico, ele virou a bengala de todas as grandes marcas. Se todos os servidores do Facebook hoje explodirem junto com seus backups, vai-se toda a base de comunicação e informação de relacionamento de muitas companias. E esse é o menor dos problemas.
Segundo as novas diretrizes de uso da principal rede social do mundo, a partir de agora um post em uma fanpage vai ser mostrado somente na timeline de 15% dos assinantes da página; se você quiser mais, terá que pagar ads.
Não é errado usar o Facebook, o Twitter, etc, para se comunicar com seus clientes. É apenas preocupante que se use essas redes como o único canal de contato. Outro agravante desse panorama é o evidente despreparo das marcas em relação ao seu SAC, por exemplo, ou referente ao conhecimento do nível de qualidade do seu produto. Nenhuma marca deveria ir para as redes sociais sem antes ter um bom serviço de atendimento ao consumidor. As empresas querem construir uma boa relação e pintar uma imagem atual no mercado, mas esquecem do básico. Esquecem de ver seu próprio perfil no Reclame Aqui, por exemplo. Poucos profissionais conseguem conceber que na era digital, o setor de marketing tem que caminhar junto com o atendimento. Não se faz mais propaganda desconectado do cliente, com o publicitário naquela torre de marfim elaborando planejamentos e veiculando mídia em televisão e revista; hoje o consumidor tem voz, tem feedback. Estamos vivendo uma época de consumo muito diferente do que era até pouco tempo atrás. Inclusive, o consumidor está mais crítico do que antes, não compra mais o produto sozinho, mas compra a história daquela compania, suas ideologias, seu processo de fabricação, a origem da sua matéria-prima, a sua forma de politicar com os problemas do mundo.

Tudo isso se reflete na problemática do uso do facebook. Não o uso excessivo, mas a apropriacào deste site como única plataforma de divulgação e comunicação com as pessoas. Também existe um grande erro em resumir o facebook a um site, claro, pois ele vai muito além e se torna uma plataforma-base no momento em que acontecem duas coisas: a) ele cria a necessidade das pessoas mostrarem umas para as outras o que elas estão curtindo, junto com a fome em compartilhar todos os seus momentos especiais da vida, e b) quando o facebook vira tão essencial ao ponto de não existir um único grande, ou minimamente famoso, portal ou blog que não tenha um botão de curtir em algum lugar da sua interface. Ter um botão de curtir é crucial hoje em dia. É básico. E isso mostra o poder do facebook.
Mas nós aprendemos com o tempo – com o Google, com a Microsoft – que existe perigo na dependência. Que necessidade, em marketing, tira autonomia. Se minha loja online fica no facebook, eu preciso me submeter às suas políticas. Eu não tenho escolha. É um raciocínio parecido com a ditadura ou com a idéia de propriedade privada, só que ao contrário dessas duas – em que nós não temos muita escolha sob se submeter ou não à regra -, nós estamos caminhando voluntariamente para a dependência dessa plataforma.
Cabe ao planejamento de marketing ser sensível ao que é necessário para aquela campanha. A idéia é se estabelecer de forma sólida e permamente (ou longo prazo) na internet? Não se apoie somente no Facebook. Não faça apenas do número de fãs da página, ou a média de interações nos posts, a sua única estatística. Mantenha-se independente, mesmo que uma parte de você ainda esteja presente nas redes sociais: elas devem ser uma porta para o seu principal – e autônomo – canal de comunicação na web, e não o canal final de comunicação.

 

FISL 13

Semana passada estive em Porto Alegre, participando do Fórum Internacional do Software Livre (13° edição) – um evento que vou desde 2006.

Esse ano participei do desafio Decorders, da W3C Brasil, e conquistei terceiro lugar na premiação, junto com meu parceiro  Murilo Prestes, com a api da aplicação Compras Públicas RS – que ainda está em desenvolvimento. Foi a primeira vez que participei de um desafio desses, e agora fiquei na expectativa de participar de muitos outros. Alem disso, dei uma passada no HackDay da Mozilla – onde sou voluntária – para dar uma força para a galera que está começando a codar para o Mozilla Marketplace (na verdade, eu mesma preciso tomar vergonha na cara e criar meus repositórios lá).

Todos os anos eu assisto dezenas de palestras e oficinas no FISL, mas esse ano me reservei para fazer um networking e me concentrar no código de apps. Acabei assitindo a palestra sobre Canvas+SVG+Html5 do Zenno Rocha, uma palestra muito infeliz sobre Facebook, e outra sobre os desafios de desenvolver para o FreeCAD.  Senti falta de ir nas atividades relacionadas a redes de computadores e desenvolvimento para kernel, que sempre vou apesar de não trabalhar com nenhum dos dois – a despeito de ter estudado muito Iptables na época do técnico em redes.

Foi legal ver que a participação de mulheres tem aumentado com o passar dos anos, e que elas deixaram de se focar na contribuição com traduções e testes de usuário apenas. Elas estão codando!

Vou falar mais sobre isso em posts próximos. Por ora, o trabalho acumulado da semana me chama.

Para saber mais sobre o Deoders e como fucinonou:

O DECODERS-RS é uma competição entre times pelo melhor aplicativo para disponibilização de serviços públicos aos ciadadãos. Os aplicativos foram desenvolvidos a partir dos dados abertos disponíveis no catálogo do portal de Acesso a Informação do Estado.

O concurso foi realizado pelo Governo do Estado, através da Subchefia de Ética, Controle Público e Transparência da Casa Civil, da Secretaria Geral de Governo e da Procergs, em parceria com o W3C Brasil.

Fonte – Gabinete Digital

Mozilla Thimble

Depois de um tempão fui testar o Mozilla Thimble, um dos projetos das Mozilla Web Maker. O MT é um editor html online que tem como proposta fazer você aprender mais sobre html e css. Fiz um projeto simples, tacando css no próprio html, sem nenhum design pensado.

A interface é mesmo muito intuitiva, e as dicas são todas em inglês. Ele avisa quando você deixou de fechar uma tag e qual o problema que isso implica no front.  O que eu mais gostei é a possibilidade de compartilhar o trabalho muito facilmente, em apenas um click. Existe um botão no topo da parte gráfica do aplicativo, escrito Publish, onde é gerada uma url para o seu projeto – e assim é criada uma url para editar seu projeto também. Achei fantástico e simples. E mais: a licença do programa permite que você use o aplicativo para trabalhar também.

Vocês podem ver meu projetinho de teste aqui.

E editá-lo aqui.